Abaixo de si, apenas o mar a bater em pedras. Em sua volta, o ar gélido de manhã cinza assoviando em seus ouvidos. Junto consigo, apenas a leveza de quem ali decidira pelo o fim.
O tão temido fim! "Por que não?!" - pensou. O que aos olhos do alheio - se é que alguém se importava - aquele era o mais alto dos atos de covardia. Ou de loucura! Mas ele sabia que na beira daquele penhasco loucura seria não se deixar seduzir por aquela voz que lhe oferecia a eterna paz. Covardia seria arrastar-se por uma vida em frente a olhos mais cortantes e frios que aquele oceano azul que mirava em pleno inverno.
De peito aberto pulou. Seu sangue quente em rubra cor, misturou-se ao azul cintilante do mar. As nuvens se abriram como quem dá espaço aos astros para contemplar o ocorrido. Ninguém viu, ninguém soube. Ninguém se importou com a partida... com a despedida de um ninguém.